Qual o preço do seu design?

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Quando se é um freelancer ou até mesmo dono de uma empresa de design, sempre nos deparamos com perguntas desse tipo. Quanto devo cobrar pelo meu trabalho de criação? Como faço para saber quanto tempo eu gastarei para chegar a uma solução gráfica?

De fato é muito complicado precificar um projeto gráfico, um conceito ou até mesmo um desenvolvimento de uma marca. Nosso trabalho intelectual não é fácil de avaliar, muito menos de precificar, chegando a conclusões muito diferentes dentro de um mesmo projeto. Por exemplo, se fizermos um processo licitatório, podemos verificar propostas que poderiam variar de R$ 1000,00 até R$ 10.000,00 pelo mesmo projeto, com o mesmo briefing. E numa visão pessoal, não considero que a pessoa que cobra R$ 1000,00 está desvalorizando a profissão nem que a pessoa que cobrou R$10.000,00 está nadando em dinheiro, mas é óbvio que a forma de precificação do trabalho delas não segue o mesmo conceito.

E qual seria a solução para eu conseguir colocar um preço nos meus projetos? Bom, vamos a algumas técnicas de definição de preços que eu considero interessantes:

1. Cálculo do valor da hora trabalhada

Essa é uma técnica bem utilizada por profissionais autônomos. Defina um valor que você ache que deva ganhar de salário por mês. Exemplo: R$1.000,00. A partir daí, divida pelo número de dias trabalhados ( podendo ser dias úteis(22 dias) ou corridos(30 dias)) e depois divida pelas horas diárias ( por exemplo 8 horas por dia). A conta ficaria assim:

(1.000 /22)/8 = R$ 5,68 /h trabalhada.

Chegando nesse valor, você precisa definir quanto tempo você irá demorar para fazer cada projeto e multiplica pelo valor da sua hora de trabalho. Por exemplo:

Criação de um folder: 40 horas trabalhadas ( R$ 5,68 x 40 = R$ 227,20).

Esse é o valor do seu trabalho. Claro que você deve colocar os custos operacionais desse projeto, tais como: passagens de ônibus/táxi para visita ao cliente,  conta do celular, material que irá utilizar, luz, água, etc. Lembre-se, que esse custo tem que levar em consideração tudo que você precisará gastar para entregar o projeto. E ainda inclua a sua RPA ( Recibo de Profissional Autônomo) para o imposto de renda.

2. Tabela de preço por projeto

Baseado em alguns critérios básicos, você poderá estabelecer  valores por projetos e por tipo de clientes. Muito utilizado em precificações de projetos impressos, onde você pode definir que a criação de um cartaz ou uma lâmina custa R$ 100,00. Um folder, frente e verso, custa R$ 200,00, etc. E assim ir estabelecendo a sua própria tabela de preços aplicada à sua experiência de trabalho e não ficar calculando o tempo que irá gastará para fazer o projeto em si.

Cada item deve ter um preço estabelecido para você não se dar mal. Veja um exemplo: Um cliente pede um folder, mas nesse folder, ele quer uma ilustração inovadora em 3D. Ora, nesse caso,  você irá cobrar o folder e a ilustração 3D. Os dois itens devem ter na sua tabela de preço. Vejam só como o briefing é extremamente importante nessas horas, mas briefing é um papo para outro post.

Muitos profissionais também fazem uma diferenciação em relação ao tamanho do cliente. Diferenças entre profissionais liberais, pequenas, médias e grandes empresas são utilizadas para diferenciar o preço nessa tabela também.

Vou listar algumas referências de preços aplicados na nossa área:

Tabela de preço da Adegraf 2013-2015

Manual de serviços e preços da Apadi

Tabela de preço da SIB

 Tabela de preço de Criação da Abemd

Na minha experiência profissional, tanto como freelancer quanto empresário, eu utilizei essas duas formas de precificação. Claro que, adequando a minha vivência na época. Uma tabela de preço acrescida dos encargos era o que eu usava na minha empresa. Já o cálculo de horas trabalhadas era a técnica que eu usava nos meus trabalhos autônomos.

Mas eu sempre fui tentando a usar uma forma diferente que, infelizmente, não se encaixa nos padrões capitalistas e que se usa um bom senso praticamente utópico entre contratado (o designer) e o contratante (o cliente). Já adianto que nunca usei, pois não daria certo. O conceito dessa precificação seria a seguinte:

3. Tempo+Esforço=Preço.

Ao fazer um projeto criativo, você, designer pode fazer uma pesquisa conceitual rápida ou se aprofundar mais e mais para entregar um projeto gráfico totalmente embasado. Encarando esse caso hipotético, você poderia ter em “pouco tempo e esforço” um projeto aprovado. Com certeza, esse mesmo projeto poderia ter sido pensado muito mais e chegado ao mesmo conceito (acreditem, isso acontece!), mas estaria com mais embasamento, conceito mais sólido, enfim, um trabalho com mais qualidade intelectual. Vejam que o esforço que você fez é muito maior que no primeiro caso. Então o conceito dessa precificação acaba sendo é simples: Quanto maior o tempo e o esforço, maior deveria ser a remuneração desse projeto. Mas vai falar isso para um cliente que quer tudo para ontem. Por isso, nem tentei aplicar esse modelo e hoje em dia serve mais para reflexão para um mundo no futuro, menos capitalista extremista.

Enfim, claro que há diversas formas de precificar um projeto de design. Alguns livros como “Quanto custa o meu design” de André Beltrão, “O valor do design” da Editora Senac e até o “Viver de design” do Gilberto Strunk irão ajudá-los na hora de organizar a sua vida profissional. Lembrem-se que os valores acima são meramente ilustrativos.

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About Luciano Skorianez

Designer desde 1999. Criei esse blog para disponibilizar estudos e recursos relevantes para todos que trabalham com design.


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